AVENTURAS DO CORAÇÃO

 

Bem...como eu falei sobre aventuras fugazes, que podem ser boas para quebrar a monotonia da vida, perguntaram-me se eu então concordava com essas aventuras, em detrimento de relacionamentos duradouros.
Pode até ser... muitos dizem que certas "escapadas" fortalecem um relacionamento que está caindo na monotonia da rotina diária. Só que envolve muitos perigos. Por exemplo, pode ocorrer o surgimento de uma paixão muito forte, que acaba estremecendo o edifício solidamente construído com uma convivência de muitos anos de felicidade.
Será que vale a pena? Concordo que muitas vezes "pinta" alguma coisa. Conhecemos um "certo" alguém que nos impressiona, e fica aquele desejo de provar o chamado "fruto proibido". Pode se manter um certo clima de romance sem que haja um envolvimento mais forte. Claro que é arriscado, pois se o "outro lado" descobre, as conseqüências poderão ser bem desagradáveis.
Pode-se perguntar: E se o envolvimento crescer? E se o perigo aumentar? Bem...qualquer atitude sempre deverá ser tomada muito pensadamente. Reconheço que por vezes é difícil resistirmos a uma aventura excitante. É aquele famoso caso de auto-afirmação, de que ainda "somos capazes de atrair atenção do sexo oposto", e isso sempre mexe com o ego das pessoas.
Nunca podemos esquecer do outro lado. Cabe então pensar: Será que ele (a) também está com esses mesmos desejos? Como eu reagirei ante uma aventura dele (a) ?.
Sim, porque o que acontece conosco, também pode acontecer com nosso (a) parceiro (a).
Uma vez respondendo a essa pergunta, vamos verificar se a aventura que se apresenta é tão excitante assim. Se vale a pena correr todos os riscos.
Ninguém pode dizer que tal atitude está certa ou errada. Tudo depende de circunstâncias, de momentos. Muitas vezes, ante a perspectiva de uma excitante aventura, acho que a atitude mais sensata é fazer uma análise da situação, porque sempre alguém sairá ferido, e muitas vezes é o próprio aventureiro quem se machuca.
Tais situações geralmente não são planejadas. Simplesmente surgem.
Na minha opinião, o melhor a se fazer em tais situações, é um jogo limpo, pelo menos com a 3ª parte, qual seja, esclarecer bem a situação, de que o desejo é de momento, e será só uma simples aventura passageira. Pelo menos existirá uma coerência de atitudes.
Muitos poderão achar que esta idéia é muito cínica. Concordo, mas só o chegar a uma situação parelha já vai uma certa dose de cinismo, não acham? E, convenhamos, é difícil controlar uma atração muito forte. E, nessa situação, chegar-se às vias de fato talvez seja mais coerente e definitivo do que ficar imaginando como seria. O pensamento é às vezes, muito mais perigoso, pode trazer conseqüências piores do que "cometer-se o crime". Pelo já se viu como é que é, e poder-se-á administrar melhor a situação.
Espero ter me expressado coerentemente. Não faço apologia de amores clandestinos, simplesmente concordo com o direito ao livre arbítrio, onde cada qual sabe onde lhe aperta o calo. Só penso que quaisquer atitudes devem ser tomadas após uma boa meditação, pois sempre tem mais um ou dois lados envolvidos, e essa é uma situação que tem, de ser ponderada.
O que eu faria numa situação dessas? Pensaria muito bem e tomaria a atitude mais coerente possível. Ninguém pode dizer que tomaria tal ou qual atitude, pois tudo depende das circunstâncias de momento, dos impulsos do coração e da emoção.
Se vale a pena viver uma aventura? É algo que sempre deverá depender da decisão de cada um... Por vezes é gratificante, por vezes é perigosa... depende muito de uma boa conversa. O certo apenas, é que não se deve "entrar de cabeça" em uma aventura. Tomando-se essa decisão, que se leve em conta, ao menos que é uma coisa para ser vivida no momento. É algo para ser vivido pela emoção.
Assim sendo, minhas crianças, o mais adequado sempre é juízo e discernimento.

 

 

Marcial Salaverry


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