REVIVENDO A HISTORIA DA FAVORITA DO SULTÃO

 

 

Sempre será possivel reviver essa antiga fábula, estória que remonta
aos tempos de nossa infancia...
Osculos e amplexos,
Marcial

REVIVENDO A HISTORIA DA FAVORITA DO SULTÃO
Marcial Salaverry
 
Para reviver a estória da “Favorita do Sultão”, vem logo à lembrança os famosos “Contos das Mil e Uma Noites”, em que Scheerezade entretia o sultão com seus contos, mantendo-o longe das demais odaliscas, para ser a “Favorita do Sultão”.  Mas essa linda época em que os sultões podiam ter quantas mulheres quisessem ficou no passado, pois hoje as relações são baseadas no amor, e geralmente o amor exige uma certa monogamia, caso contrário não será o Amor, serão os amores, e existe uma diferença fundamental entre ter um Amor, ou viver muitos amores, principalmente, se esses muitos amores forem simultâneos. 
Sempre será complicado administrar essa situação, exigindo-se um perfeito jogo de cintura, para não arranjar confusão, pois sempre haverá aquela ocasião que as coisas virão à tona.
Naquela época em que tal situação era permitida, era o tempo em que havia sultões e odaliscas, e assim, o chamado “Magnífico Sultão”, tinha quantas odaliscas pudesse ter em seu harém. Todas viviam em paz, aguardando o momento em que ele escolhesse uma para usufruir seus favores, e sempre havia uma que ele chamava com mais frequencia, e que era chamada de sua favorita.
 Mas isso ficou no passado, e as mulheres modernas, principalmente as ocidentais são essencialmente monogâmicas, e não gostam de dividir seu amado com outras. E os homens também assim pensam. É a politica exclusivista da vida moderna... Nem sempre seguida à risca, mas é politicamente correto admiti-la...
Nessas condições, não é muito aconselhável manter romances extraconjugais. Mas, sempre existe quem tenha uma irresistível vocação para uma vida de aventuras, e não resiste à tentação de montar um harém particular, desde que tenha condições, sejam financeiras ou carismáticas para tanto, ou mesmo de saúde...
Contudo, as coisas mudaram muito, e se antigamente as odaliscas aceitavam numa boa e conviviam pacificamente entre si, apenas aguardando a chamada do amo e senhor, as “odaliscas” atuais não pensam assim, e não gostam muito de saber que o “sultão” divide a atenção e os carinhos com outras parceiras, e  procuram sempre chegar à condição de “única favorita”, para exigir a exclusividade no “sultanato”.
Muitas vezes ocorrem disputas até que se defina qual a preferência do sultão, deixando-o sempre em situação delicada, eis que sempre será complicada uma escolha, já que existe uma atração especial em cada uma delas.
Fatalmente, a favorita será aquela que melhor souber prende-lo em sua teia, com carinhos e atenções especiais. E o sultão acabará por render-se à sua eleita, e a tendência natural, será a dedicação ao Amor verdadeiro.
Nessa fábula moderna, cabe uma análise, para definir o que vem ser o Amor, ou os amores, e as vantagens e desvantagens dessa situação.
Quando se tem diversos amores, jamais haverá uma dedicação total, pois os sentimentos ficam divididos. O ideal é ter apenas um Amor, fixo, definitivo, imexível, para vive-lo em sua plenitude, uma vez que quando se tem muitos, ficará sempre difícil escolher, pois existe uma atração especial em cada um deles, e geralmente a tendência é ficar sem nenhum, principalmente se a escolha for muito demorada, pois a uma espera cansativa, seguir-se-á uma desistência.
 A favorita então será aquela que melhor souber fazer-se amar. É preciso conquistar, e saber controlar a situação. Mais do que saber amar tem que saber fazer-se amada. Descobrir os chamados “pontos fracos” da estrutura do sultão, e conquista-lo. Mostrar que é importante que ele a ame.
Muitas pessoas pensam que o amor é a doação total, e assim, anulando-se para quem ama, irá prende-lo. Não é bem dessa maneira, pois uma entrega pura e simples, tira o gosto da conquista.  E essa conquista tem que ser diária.
O amor tem que ser compartilhado, para ser bem vivido, e assim, a doação tem que ser mútua, pois o tempo de sultões e odaliscas ficou para trás. A vida moderna exige sempre sentimentos em reciprocidade, com perfeita divisão de direitos e obrigações, permitindo que haja um relacionamento duradouro entre o ex-sultão e sua favorita.
E havendo essa harmonia, será fácil fazer de cada dia, UM LINDO DIA.
 
 

 

Marcial Salaverry


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