FUTEBOL BRASILEIRO NO CONGO

 

 

FUTEBOL BRASILEIRO NO CONGO
Marcial Salaverry
 
De minha estada no Congo, lembro-me de algumas passagens interessantes, como esta.
Huguette e Jean-Claude Tornero. Huguette, de família tradicional de Botucatu, de origem francesa, conheceu Tornero em São Paulo. Ele era Diretor da Simca Chambord.  Quando terminou seu contrato no Brasil, voltou para a França, e de lá, para Kinshasa.  Era um casal dos mais animados e simpáticos.  Certa feita tivemos oportunidade de oferecer inesquecível recepção à Seleção Paulista de Novos, que estava fazendo uma temporada na África, e o encerramento da campanha foi justamente em Kinshasa. O técnico dessa Seleção era José Teixeira.  Os rapazes já estavam saturados de tantas viagens, e nunca poderiam esperar encontrar uma turma de brasileiros malucos naqueles cafundós.  Oferecemos uma belíssima feijoada, com acompanhamento de caipirinha, ao som da mais legítima música brasileira.  Não poderei jamais esquecer duas coisas. Primeiro a frase do ponta esquerda Ziza:
"Meu Deus... último dia da viagem... comendo feijoada, tomando caipirinha da boa, e ao som de Roberto Carlos... É demais... Obrigado, Meu Deus."
E depois, ao entrarem no ônibus que os levaria para o hotel, batucando animadamente, e cantando o famoso refrão das despedidas: Tá chegando a hora... "
E alguns anos depois, quando já estava no Brasil, estava andando pela Avenida Santo Amaro, e quase fui atropelado por um carro que subiu na calçada, parou a meu lado, e para surpresa minha, dele saiu o ponta esquerda Ziza, feliz da vida por ter encontrado no Brasil aquele "brasileiro do Congo"...
Haja memoria...

 

Marcial Salaverry


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