O QUE PODE SER UM ADEUS - PARTE 2

 

 

Quando será a hora de dizer um adeus?
Osculos e amplexos,
Marcial

O QUE PODE SER UM ADEUS Parte 2
Marcial Salaverry

Quando certas coisas inesperadas acontecem, por vezes chegamos numa espécie de encruzilhada em nossa vida, quando se torna muito difícil arrancar um amor que se introduziu em nosso peito, mas que não encontra correspondência. E realmente é muito  complicado amar sem reciprocidade. Assim, ficamos nesse impasse, dizendo para aquela imagem que nos olha pelo espelho, que é hora de esquecer, mas fica aquele sentimento interior, ainda nutrindo a esperança de que nosso amor ainda poderá ser correspondido. São mesmo coisas do coração...
A propósito, recebi de uma amiga muito querida, a conhecida L’Inconnue, que vive um dilema desses. Destaquei um pequeno trecho, com sua devida licença, pois é algo que certamente vai servir para muita gente que deve estar vivendo uma situação parelha:
"Como dizer adeus a um ser tão especial...como dizer adeus  a um ser que me comove tão profunda e intensamente na alma. Deveria ser proibido amar(sentimento) assim depois dos  quarenta anos.... Penso que o ideal seria a gente apenas "ficar" meio assim que enamorada ou mais ou menos amiga, ou meio amante, sei lá! Mas amar com a entrega da alma, (mesmo que lutando com o raciocínio e agindo com o tal para não deixar acontecer)  é maldade,  para pessoas da minha idade onde a paz deveria se instalar confortável numa amorzade tranquila!"
Bem amiga, sinceramente espero que realmente consiga aliviar essa pressão interior. Não por julgar já ter passado da idade,  mas sim, por não existir a reciprocidade, pois é aí que mora o perigo. Amor unilateral sempre é triste. Mas não fique com a idéia de dar um adeus definitivo. Diga como se fosse um até breve, diga para ele, e para você mesma, que apenas "vai dar um tempo", como fazem os adolescentes de juízo... Até mesmo o adeus provocado pela morte de alguém querido, não é definitivo, pois mais cedo ou mais tarde vão se ver novamente, mesmo que em outro plano. Pense assim...
Em casos semelhantes, essa é a melhor política, já que um adeus radical, definitivo, sempre será mais difícil de assimilar, pois implicará naquela frustrante sensação de perda, ao passo que um afastamento temporário será mais facilmente aceito por nosso raciocínio, e poderá inclusive ser encaminhado para essa amorzade mais facilmente administrável.
Podemos igualmente considerar que, como o contato não será totalmente cortado, sempre haverá a possibilidade de uma mudança de sentimentos do objeto de seus sonhos.
O fator idade nada tem a ver com o amor. Para amar, basta estar vivo, tenhamos 8 ou 80 anos. Apenas existem diferentes maneiras de amar. E a amorzade é uma delas, que poderá ser mais bem aceita por alguma pessoa mais recalcitrante que, embora queira amar, pode estar vivendo um medo interior de se envolver em algum compromisso. Não podemos nos esquecer de que após uma certa vivência, experiências passadas sempre poderão influenciar na escolha de novos rumos. Esse fator sim, tem a ver com a idade, com o que já se viveu, que pode estar causando uma fuga ao amor que poderia viver. O medo de sofrer novamente, provocando um sofrimento atual. Coisas de algo escondido num cantinho de nosso cérebro.
Simplesmente o medo de assumir um novo compromisso. E se o relacionamento for levado mais para o lado da amizade, poderá ser muito melhor vivenciado, e sempre existirá a possibilidade de um novo encaminhamento para a vida futura.
Há que saber dizer um adeus. Mesmo para nosso interior, pois sempre será traumático assimilar totalmente a idéia de um esquecimento definitivo. Isso só acontecerá se dessa relação não houver nada de bom, se houve muito sofrimento, e assim, nesse caso cabe um adeus definitivo, e um esquecimento total. Mas se houve momentos bons, ou melhor, se o existe um clima amigo, então o melhor é “dar um tempo” mesmo.
É melhor ter um “amor amigo”, do que um “amor antigo”.
E com toda a amizade do mundo, desejo a todos UM LINDO DIA.

 

Marcial Salaverry


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