ALGUMAS TEORIAS SOBRE AMOR E AMIZADE

 

 


 

ALGUMAS TEORIAS SOBRE AMOR E AMIZADE
Marcial Salaverry

Nossa vida é marcada por acontecimentos e pessoas. Na verdade, penso que todos nós temos um lugar especial em nosso "álbum  de recordações" para alguém que marcou nossa infância, e, que por algum motivo especial acabou se transformando  em um de nossos "ídolos" . Um desses ídolos de minha infância (que ficou bem longe...) foi alguém pouco conhecido.  Não sei se alguém já
ouviu falar em Sir Charles Chaplin. Talvez pelo codinome Carlitos, alguém o conheça. Ainda vão ouvir falar dele, apesar de estar em início de carreira...
Descobri uma citação desse rapaz, muito bonita por sinal, vejam:
"As melhores e as mais lindas coisas do mundo não se podem ver nem tocar, elas devem ser sentidas com o Coração."
De fato, algo que é uma grande verdade, é que ninguém jamais conseguiu tocar no Amigão, mas sem nenhuma sombra de dúvida, Ele figura entre as melhores amizades que poderemos ter.
Nós vemos e sentimos sua presença em nosso interior, com nosso coração e nossos sentimentos, mas nunca conseguimos, nem conseguiremos tocá-lo com nossas mãos. E em sã consciência, ninguém conseguirá negar sua presença sempre marcante, salvo por uma teimosia muito arraigada.
Outra coisa que é muito interessante, é o fato de que ninguém pode dizer que já tocou, ou já viu o Amor, embora possamos  ver, tocar, sentir, o objeto de nosso amor, mas jamais poderemos tocar o sentimento Amor, embora possamos senti-lo muito vivo dentro de nós... Será que o amor existe mesmo?
Senti-lo, vivenciá-lo, é uma coisa,  mas tocá-lo, pegá-lo, é outra muito diferente.
Sentimos quando amamos, assim como sentimos quando somos amados, assim como poderemos sentir a conjunção dos dois.  Amar e ser amado,  é o máximo que alguém pode desejar.  Poderemos tocar, sentir, beijar, a pessoa amada.   Mas o Amor só será sentido em nosso coração, em nosso cérebro, apenas com nossa razão, com nossa alma, mas jamais com nosso tato, com nossa visão ou audição.
Assim como a Amizade, que é mais etérea ainda que o Amor. É um sentimento tão estranho, que sequer tem explicação, que dizer, então, da possibilidade de toque.
Sentimos Amizade por alguém, muitas vezes ao primeiro sinal de vida. Num simples bater de olhos, seja na pessoa, seja em algo que ela escreve ou faz.
É uma Afinidade que surge inexplicavelmente.   Tocar na Amizade?  Como? Podemos quando muito tocar na pessoa amiga, e nem isso é necessário para que uma Amizade surja, cresça, e se desenvolva...
Muitas vezes nos tornamos grandes amigos de pessoas que sequer conhecemos fisicamente, mas conhecemos suas idéias, sua alma, sendo  esse  o principal conhecimento que precisamos ter para deixarmos brotar esse doce sentir em nossa alma.
Nosso garoto Chaplin está coberto de razão, pois as melhores coisas que existem na vida devem ser apenas SENTIDAS com nosso coração, com nossa alma.
E quando surgirem esses sentimentos, ao invés de procurar explicações, devemos vivê-los, senti-los, curti-los até a exaustão, enquanto vivos estivermos.
Tocá-los, pegá-los será impossível.  Vivamo-los, pois. Principalmente, saibamos vive-los, com respeito e reciprocidade.
Assim como esses sentimentos são inatingíveis, não devemos sofrer quando a pessoa querida não estiver a nosso lado.  Devemos usar nossa força espiritual para sentir essa presença desejada bem perto, pois se o sentimento deve ser apenas vivido, já que tocá-lo é impossível, então poderemos igualmente curtir a presença ausente, como se a nosso lado estivesse...
Se não podemos ter a pessoa querida ao nosso lado, poderemos sentir a presença espiritual, que também é gratificante. Por vezes, substitui a presença física, sem as restrições que por vezes surgem com a convivência física.
O mesmo se pode falar de muitas coisas gostosas que poderemos ter ou sentir, ou que assim desejamos, tais como  carinho, consideração, lealdade, que são sentimentos vividos, sentidos, mas que jamais serão tocados, desmentindo as idéias que muitas pessoas tem, de que somente poderemos acreditar naquilo que vemos, tocamos ou cheiramos.

 

Marcial Salaverry


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