UMA DECISÃO FELIZ

 

 

UMA DECISÃO FELIZ
Marcial Salaverry
 
Por vezes numa viagem de trem, podem se travar novos conhecimentos, modificando uma vida.
Por uma dessas coincidencias da vida, Gerusa e Geronimo, estavam sentados no mesmo banco em uma longa viagem de trem, e começaram a conversar. Após uma apresentação formal, acharam divertido que seus nomes, escritos nos documentos com a letra "G", normalmente o são com a letra "J".
O fato facilitou a amizade, e Gerusa disse estar apaixonada, apesar de já ser mulher madura, e estava se sentindo como adolescente, em dúvida se deveria levar adiante esse amor, já que sua filha não estava aprovando a ideia. Será que por amar estarei agindo como adolescente?
Geronimo sorrindo ante o inusitado do que ouvira, simplesmente disse:
- Não deixa de ser uma adolescente, pois o amor realmente tem o condão de rejuvenescer as pessoas, pois não existe idade para amar.... Mas fora isso, o que mais voce pensa sobre o assunto?
Gerusa retrucou:  - Pelo que pensa a juventude sobre o assunto, conforme disse minha filha, apaixonar-se
é proprio da juventude, e daí, fiquei com a impressão de que amar alguém é sinal de imaturidade emocional.
Geronimo, interessando-se pelo assunto, disse:
- Na verdade, amar não é coisa apenas de jovens, não pode ser considerado imaturo, mas apaixonar-se talvez o seja, embora parecer adolescente, não quer dizer imaturidade... É preciso igualmente considerar que hoje em dia existem adolescentes já com as idéias bem maduras...
- Será que idade quer dizer perda de entusiasmo? Acrescentou Gerusa...Mas não concordo com isso...
- Nem eu,. acrescentou Geronimo... Acho que apenas a morte em vida pode causar uma perda de entusiasmo, como
alguém que se acha velho, por exemplo... Sempre temos que amar a vida, e amar na vida.
- Apaixonada sempre fui e sempre serei, afirmou Gerusa, dizendo ainda mais: -Sou apaixonada por tudo o que mexe com minha alma, seja uma pessoa, um texto, uma imagem, uma música. Falar em música então, é algo que acende minha sensibilidade...
- Entendo essa sua paixão... Eu amo a Natureza, amo a vida, e amo a poesia, e claro, amo profundamente a Deus e
acho que viver apaixonadamente e assim entregar-se à Vida é o que nos impulsiona para diante, nos faz viver melhor, nos traz a felicidade, disse Geronimo pensativamente.
Gerusa corroborou, afirmando que: - Viver é ter um objetivo, algo que nos faça ver o sentido da vida, e faça nossa vida ter sentido, pois para viver bem, precisamos sentir prazer em viver...E para sentir prazer, temos que ter aquela meta definida, e ir atrás, e atualmente é esse amor que me impulsiona para diante. Olhe, agradeço voce estar me dando essa atenção toda, por ser alguem que não me conhece, mas está me ajudando a clarear as ideias.

- Gosto de conhecer lugares novos. Gosto de conhecer pessoas e encontrar nelas afinidades que me completam, disse Geronimo sorrindo, e completou:- Isso é gostar da vida como ela é, com todos seus encontros e desencontros.
Certo que nem sempre encontramos companhias agradáveis, mas devemos estar preparados para tudo, para todo e qualquer tipo de encontro... Ter o espírito pronto para escutar desabafos, para trocar ideias.
- Também penso assim, disse Gerusa, e se sou contemplada com um encontro ainda que casual, com quem posso conversar descontraidamente, sinto-me privilegiada e muito, mas muito mais confiante em viver o amor
 com que fui contemplada nesta altura da vida.
- Sente-se viva enfim... E é essa a sensação que nos faz sentir o prazer de estar vivendo, disse simplesmente Geronimo...
- Se por amar, pareço uma adolescente, apenas afirmo que não o o sou, e nem ajo como, apenas pareço, pelo brilho do meu olhar, como voce tão bem notou. Bem meu novo velho amigo, estamos chegando, e gostaria de ter seu endereço para mandar um convite para meu casamento, pois hoje voce me ajudou a decidir...
- Feliz daquele que, na idade madura, consegue sentir a alma jovem...Com certeza amiga Gerusa com "G". Terei o máximo prazer em comparecer a seu casamento, e ganhei meu dia, se realmente lhe ajudei a tomar essa decisão.
E trocando um abraço e um aperto de mãos, despediram-se como velhos amigos que talvez realmente o fossem...

 

Marcial Salaverry


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