AQUELES A QUEM AMAMOS

 

É impossível falar-se de amor, sem fazer-se a correlação devida com amizade, simpatia, bem como os sentimentos antagônicos, quais sejam, antipatia, raiva, ódio.

E temos ainda que considerar a tênue linha que serve de ligação entre todos eles. Ou que os separa...

Antipatia, ou indiferença, bem como simpatia, são sentimentos que podem surgir gratuitamente, ao primeiro contato, seja ele físico ou virtual.  Pode até parecer estranho, mas é o que acontece. Num primeiro olhar, num aperto de mão, ou até mesmo em um e-mail, descobrimos logo de cara o que poderá ser essa relação.

Enganos ocorrem, claro, pois muitas vezes descobrimos que o diabo não era tão feio, ou que o anjo não era tão cândido quanto nosso primeiro julgamento acusou.

Mas, como são sentimentos superficiais, sempre se pode consertar a situação, estreitando-se ou não a relação que ainda é incipiente.

Para falar de sentimentos mais sérios, quais sejam, amor, amizade e ódio, quero me  socorrer com meu sábio amigo L’Inconnu, usando uma de suas proverbiais mensagens:

Quem você ama? Guarde dentro de um porta-jóias, tranque, perca a chave!

Quem você ama é a maior jóia que você possui, a mais valiosa.

Nesse ponto de vista, podem ser englobados Amor e Amizade, sentimentos muito correlatos.

Quando encontramos o Amor em nossa vida (sempre considerando a correlação com a Amizade), é muito válido seguirmos à risca a mensagem de nosso guru. Devemos cuidar com máximo zelo e carinho, para não correr o risco de perder algo tão precioso.

O Amor sempre deve ser muito bem plantado, para que suas raízes penetrem fundo dentro de nós, e não possam mais sair. Deve ser muito bem cuidado, para que as raízes não morram. Não pode ser descuidado, porque senão, pode fenecer.

Por vezes, ocorrem certas estações de sêca, o amor pode ficar um pouco mais fraco, seu tronco balançar, mas se as raízes estiverem bem fincadas, ele resiste.  Como também resistirá a certos temporais que se abatam sobre ele.  E até mesmo ao tempo, raízes bem plantadas resistem, mesmo com tronco envelhecido, carcomido pela inclemente ação do tempo, as raízes resistirão até o fim.

Contudo, se as raízes não estiverem bem firmes, se existir indiferença, descaso, tenham certeza de que aos primeiros embates, a árvore mal plantada desabará.

Essa a razão de muitos relacionamentos terminarem prematuramente. Não houve tempo para as raízes adquirirem solidez. Então a árvore não vinga.

O mesmo se pode dizer de relacionamentos que depois de algum tempo cedem à ação do tempo, se deixam vencer pela rotina, por incompreensões e se esboroam. Por que ruíram?  Porque as raízes não estavam firmes, e às primeiras intempéries começaram a fraquejar. Por uma razão ou outra se continuou a relação, mas não se regavam mais as raízes, até que a uma chuva mais forte, as raízes mal alimentadas morreram e não suportaram essa tempestade. Ponto final. O mais triste é quando esse rompimento é traumático, e se rompe a fina linha que separa o amor do ódio.

Para evitar-se esse final, é que devemos sempre ter presente a mensagem de nosso amigo.

Ao encontrarmos o Amor, dele devemos cuidar para não o perdermos. Apenas deveremos ter certeza de que somos correspondidos, pois amar unilateralmente é muito triste. Aí não há raiz que vingue. Se amarmos e formos amados, minhas queridas crianças, devemos mesmo trancar num porta-joias, jogar a chave fora, e cuidar muito bem das raízes, regando-as com carinho, compreensão, respeito, solidariedade, para que elas  permaneçam firmes e fortes a vida inteira, resistindo com galhardia a todas as adversidades que porventura aparecerem.

Como primeira medida, apertemo-nos as mãos e, formando um círculo em volta da árvore de nossa amizade, desejemo-nos UM LINDO DIA.

 

Marcial Salaverry


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