FALANDO SOBRE PALAVRAS

 


FALANDO SOBRE PALAVRAS
Marcial Salaverry
Para falar sobre palavras é fácil, pois falar é algo que todos gostamos de fazer, mas convenhamos que, se é gostoso conversar,  bater um papinho descontraído, passar uma cantada em alguém, resolver um negócio, existem certas palavras, certos assuntos, que sempre são mais difíceis para as entendermos ou as falarmos.
E não deveria se-lo, pois é certo que existe um sem número de coisas que precisam ser faladas para serem resolvidas. É algo inerente ao ser humano. Para isso, temos o dom da palavra, que nos permite uma comunicação, que pode ou não ser pacífica, dependendo da vontade dos interlocutores.
As palavras devem ser pensadas e medidas, mas podem ser faladas de todas as maneiras possíveis, além do método mais conhecido, que é usando nossas cordas vocais. Podemos faze-lo através da escrita, ou através de gestos, bem como podemos falar  também com o silêncio, pois   muitas vezes um silêncio “fala” mais do que um grito, sendo, aliás, melhor compreendido. Um silêncio pode ser muito significativo, desde que sabiamente usado.
Fala-se em paz, explode-se em guerra, pois nem sempre as palavras mais sábias são escutadas, ou entendidas. E nem sempre um apelo de paz é ouvido, sendo substituído pelo sinistro matraquear das armas de fogo.
Através das palavras, conquistam-se amores, e perdem-se amores.  Fecham-se negócios e perdem-se negócios. Pede-se e perde-se a paz.
Contudo, apesar da importância enorme que as palavras representam em nossa vida, existem algumas poucas palavras que tem um significado enorme, mas que sempre são as mais difíceis de serem ditas, e essa dificuldade ocorre, muitas vezes, justamente para as pessoas que mais as precisam dizer.
As mais corriqueiras são as tradicionais “Por Favor”, “Com licença”, “Obrigado”... Por que será que muitas pessoas relutam tanto em dize-las?  Não custam nada e sempre abrem as portas com mais facilidade, melhor do que qualquer chave mestra.
Contudo, existem pessoas que acham “humilhante” pedir algo “Por Favor”. Em sua idéia, dá impressão de estar mendigando uma obrigação, como por exemplo, pedir a um garçom que por favor lhe passe o cardápio. Ele está ali para isso, certo, mas tratado com cortesia, certamente atenderá melhor.  Também é difícil  entender porque superiores hierárquicos evitam pedir “por favor” a seus subalternos... Por que será? Quanto ao “Obrigado”, então,  nem falar. Sempre que somos atendidos por alguém, seja um gerente de Banco resolvendo um empréstimo, seja um ascensorista que nos conduz ao andar solicitado, seja o motorista que para no ponto, seja o faxineiro que faz a limpeza, não nos custa agradecer o serviço prestado. Um “Obrigado” não faz cair a ponta da língua.
Existem outras palavras “tabus”, que sempre nos custam dizer, entre elas, “Desculpe-me” , ou então “O erro foi meu”, e mais difícil ainda, “Perdoe-me”.  Tais palavras fatídicas implicam no reconhecimento tácito de um erro, e ninguém gosta de admitir que errou.
Sempre se procura “dar uma volta” na coisa, não aceitando ter errado.  Tenta-se de toda a maneira encontrar uma justificativa para o que, em seu ponto de vista, é um mero “lapso”.  Nunca um erro. E muitas vezes amizades são perdidas por causa disso, e mesmo empregos podem ser perdidos.
Será mera teimosia, ou “erro de julgamento?”
Porém a mais complicada de todas é a famosa “Eu te Amo”.  É impressionante como muita gente  parece crer que o fato de estar amando alguém é meio vergonhoso.  Não consegue de maneira nenhuma dizer um “Eu te Amo”, principalmente depois de um certo tempo de união.
E como essas palavrinhas mágicas fazem falta.  Nesse caso, principalmente os homens têm um certo preconceito contra o fato de admitir abertamente que amam sua companheira.  E como isso as magoa.  Como elas gostariam de ouvi-los dizer todos os dias, e muitas vezes ao dia, desde que seja dito sinceramente, romanticamente mesmo.  Seja durante um gostoso beijo, seja acompanhando um ramo de flores ou, porque não um colar de diamantes... Elas não são tão exigentes... Na verdade, mesmo naquele comercial de televisão, quando ambos estão assistindo a um filme sentadinhos no sofá, pegar em sua mão e dizer olhos nos olhos: Eu te amo, meu amor...  Os resultados no relacionamento serão mágicos.  E sempre é tempo de começar. 
Quem não tem esse hábito, experimente começar, verá que não cai a língua não.  Aliás, ela poderá ser muito necessária se a coisa progredir...
Por favor, minhas crianças, peço licença para pedir perdão se por acaso eu errei em alguma coisa. Desculpem-me se isso aconteceu, porque eu amo vocês, e com um aperto sincero de mão, quero desejar a todos UM LINDO DIA. E meu muito obrigado...

 

Marcial Salaverry


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