TENTANDO ENTENDER A SAUDADE

 

Saudade... palavra triste... será?
Osculos e amplexos,
Marcial

TENTANDO ENTENDER A SAUDADE
Marcial Salaverry

Existe uma polêmica, a respeito da saudade (ou saudades), pois até agora não se conseguiu chegar a um acordo, se é apenas saudade, ou se são saudades, aquela dorzinha que sentimos lá dentro, quando nos lembramos de algo ou de alguém muito querido.
Para dizer a verdade, não interessa muito polemizar sobre o assunto, pois o importante é que a sentimos.  Ela nos faz lembrar coisas alegres ou tristes que já vivemos.  Alegra-nos, ou nos entristece, conforme sua natureza, conforme nosso estado d’alma.
Li uma mensagem sobre saudade, de autoria do célebre L’Inconnu, que em poucas palavras, resume muito do que seja a tal da saudade. Ei-la:
"Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida.. Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado..."
Sejam as saudades, ou seja a saudade, nós a sentimos quando nos lembramos de amizades que ficaram no passado, pessoas que representaram algo em nossa vida, mas que se perderam nas brumas do tempo.  Sequer sabemos porque sumiram, mas o certo é que o contato foi perdido.  Uma vez quebrado elo que nos ligava, sabe-se lá porque, ficam apenas as lembranças, fica a saudade, aquele desejo de reviver um bom tempinho.
E quantas vezes sentimos essa coisinha mordendo as recordações.
Lembranças de nossa infância, de nossos professores que nos prepararam para a vida.  Quanto devemos a eles.  Por onde andarão? E os colegas dos bancos escolares, por vezes é uma festa quando encontramos algum, pois sempre surgem as lembranças daqueles alegres tempinhos, as malandragens, as coisas que sempre aprontávamos para desespero dos mestres, que teimavam em nos corrigir...
Vão restando apenas as recordações, as saudades, ou a saudade daquele alegre tempinho...
E de nossos amores? Como são doces as lembranças daqueles beijos roubados... Como era complicado o namoro naquela época, com pais sempre vigilantes (falo daquela época, claro...), mas como era gostoso namorar.  Para se conseguir um beijo era uma luta, mas como era gostoso senti-lo no momento, breve, intenso, e depois ficar lembrando o doce contato daqueles lábios quentes, ansiosos, e doido para repeti-lo, para senti-lo novamente. Doce, doida e saudosa juventude.
Sentimos saudade de tudo o que vivemos, arquivando seletivamente em nossa memória.  As boas recordações, numa pasta a ser aberta quando sentirmos alguma ponta de melancolia, quando devemos dar o clique certo para abrir a pasta “gostosos”, já que lembrar momentos alegres vividos, ajuda a amenizar dores presentes.  Experimentem a receita.
Ao perdermos um amor, poderemos nos lembrar de outros que tivemos, para saber que o atual não foi o primeiro, e talvez nem seja o último, não se justificando portanto muita tristeza por o termos perdido.  Já superamos isso outras vezes, e superaremos esta.
Afinal, estamos vivos, não estamos?  Então, perder um amor não é algo tão fatal assim.
Quanto aos erros cometidos, não é bom esquece-los... Por vezes devemos lembrá-los. Para não mais repeti-los.  Se algo não deu certo, por que insistir?  Novos planos, novas oportunidades surgirão na vida.
Enfim, saudade (ou saudades) é simplesmente aquela lembrança do que já se passou. Cabe-nos transforma-la em algo doce, ou em algo amargo.  Depende de nossa vontade.
Podemos sentir saudade de algo que não foi vivido.  Então, ficamos imaginando como poderia ter sido.  E o simples fato da não saber se teria ou não sido bom, já mexe com nossa memória.
Uma viagem realizada, ou amor vivido, uma emoção sentida, apenas mexe com nossa lembrança. Aquilo que não foi feito ou  vivido, pode mexer com nosso imaginário, pensando no que poderia ter sido, mas não foi.  Tudo é saudade.
Sentimos saudade de nossos bichinhos de estimação que já se foram, de nossos brinquedos e brincadeiras que ficaram no passado, de professores e de amores. E também de amores professores. Quem nunca se apaixonou por um (ou por uma...)?
A uma brilhante conclusão  podemos chegar. É muito bom sentir saudade. Apesar de muitos dizerem que “saudade dói”, volto a afirmar que é bom senti-la.  Porque ao conseguirmos sentir saudade, é porque algo já vivemos, e, mais importante ainda, é que ainda estamos vivos, razão pela qual podemos senti-la.
Para que o dia de hoje deixe saudade amanhã, tenhamos UM LINDO DIA.
"Sentir saudade, é sinal de que se está vivo,
E de que nosso pensamento está ativo..."

 

Marcial Salaverry


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