ANALISANDO CARENCIA AFETIVA

 

Carencia Afetiva é algo que pode causar muito sofrimento, e que não
é fácil de se tratar. É meio caminho para a depressão. Geralmente é aquele
sentir falta de alguma coisa que deixa a vida incompleta.
Osculos e amplexos,Marcial

ANALISANDO CARÊNCIA AFETIVA
Marcial Salaverry

Uma verdade inquestionável, que não se pode negar, é que o sentimento de afetividade realmente é um artigo quase em extinção, e que  o mundo realmente anda carente.
A afetividade está diretamente ligada à solidariedade, e a conclusão a que se pode chegar, é que atualmente o artigo mais em voga mesmo são os umbigos, pois cada qual se dedica a apreciar o próprio, esquecendo-se de que existe muita gente em seu redor, e toda essa gente também tem umbigo, e cada qual só quer saber dos problemas que o seu (dele) umbigo pode apresentar.
Parece que ninguém mais pensa em sentido coletivo. A individualidade egoísta tomou conta de tudo. O velho esquema de "Cada qual por si", é que está imperando, ou como diz um ditado muito em voga no interior: "Cada quar com seu saraquar", ou seja, cada qual que resolva seus pepinos, quem mandou criá-los?
Da mesma maneira que os problemas alheios não nos interessam, pensamos que só os nossos são importantes. Nosso problema é que tem de ter sua solução urgenciada. Se os outros não pensarem da mesma maneira que nós, estão errados. A coisa chega a um ponto em não nos interessa mais sequer ouvir argumentos alheios. Se não pensa como nós, está errado e pronto.
Agora todos pensando e agindo assim, imagina a baderna que fica tudo. Cada qual tentando resolver seu problema de qualquer maneira, custe o que custar, não importando se irá prejudicar alguém, pois tem que curar sua dor de barriga e pronto, e "cada quar..."
Claro está que temos que resolver nossos pepinos, precisamos solucioná-los. Algo que esteja nos atrapalhando, precisa sair de nosso caminho. Porém, temos que pensar um pouco num sentido coletivo, pois se nossa solução criar outro problema, será apenas uma transferência e é aí que entra o "fator umbigal". Cobrimos o nosso, e descobrimos outro. Há que se pensar um pouco no fator "solidariedade". Vamos procurar respeitar essa parte, usando sempre a melhor fórmula de vida que existe: "Meu direito termina onde começa o seu, e vice versa..."
Deixei para o fim falar sobre o tipo mais curioso de carência afetiva. São pessoas que tem vergonha de admitir que tem sentimentos. Mascaram seu interior. Colocam uma capa de frieza que assusta qualquer um que tente se aproximar.
Em casa, são um tormento. Desde que levantam pela manhã, apenas rosnam, a invés de sorrir.  Sempre estão de cara amarrada. São incapazes de dizer "Eu te amo", para o conjugue, para os filhos... É capaz de morder o cachorrinho de estimação e pisar no rabo do gato, só para mostrar que esta é sua vontade. São pessoas que parecem estar de mal com o mundo. De trato difícil, são incapazes de usar palavras tão eficientes, como "Por Favor", ou "Muito Obrigado".
O triste da história, é que tipos assim fazem as pessoas a sua volta sofrer, principalmente os familiares, e sofrem também, pois em seu íntimo, queria mesmo era abraçar e beijar os entes queridos, mas tem que ser durão. Não pode vacilar. Demonstrar reais sentimentos é sinal de fraqueza. Muitas vezes, ao serem abandonados por quem os ama e que eles amam também, são incapazes de pedir para ficar. Seu orgulho não permitiria isso.
E não é fácil vestir essa armadura o dia inteiro. Acaba desgastando o espírito.
A tendência dessas pessoas é ficar sozinhas, ou pelo menos conseguem afastar quem realmente poderia gostar delas e nunca é bom para ninguém transformar-se em uma ilha.
Passam a se julgar os eternos incompreendidos, esquecendo-se de que esse fosso separando-o do convívio de todos foi cavado por eles mesmos.
Nunca podemos nos esquecer de que vivemos numa Sociedade. Existem pessoas a nosso redor. Pessoas que tem problemas. Como nós, que somos essas pessoas para elas. Assim sendo, temos que ter um certo sentido de coletividade em nossa vida.
Pensar em respeitar os direitos alheios, para que os nossos também o sejam.
Vamos pensar um pouco mais nesse sentido?
E com essa idéia de coletividade, que tal, novamente., darmo-nos as mãos em volta de uma árvore imaginária, desejando-nos mais UM LINDO DIA... não é uma boa idéia?

 

Marcial Salaverry


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