MÃES E FILHAS

 

Chega a ser uma coisa interessante os desentendimentos que eventualmente ocorrem entre mães e filhas. Acontece que por vezes as mães se esquecem que já foram filhas.
Esquecem-se de todas as dificuldades de relacionamento que viveram.
Precisa-se levar em conta que para as mães as filhas nunca crescem. São sempre aquelas menininhas que sempre pediam para que a mamãe resolvesse seus problemas.
Quando crianças, as meninas sempre vêem as mães como suas "ídolas". Espelham-se nelas para tudo.
Então, as mães se acostumam a ser requisitadas para tudo. Qualquer dúvida, a mamãe esclarece. Para qualquer problema, consulta-se a mamãe, que tudo sabe, tudo resolve.
Só que a mamãe se esqueceu de passar a sua menininha "dentro da asa do tacho", e ela, infelizmente cresce. Vira adolescente. E é aí que a porca torce o rabo.
Logicamente a ex-menininha começa a ter idéias próprias, começa a ter suas amizades, a conversar com pessoas com outras idéias, e começa a fugir da "proteção materna".
Não quer mais aceitar as idéias agora ditas "ultrapassadas", e que até pouco tempo atrás eram verdades absolutas. Claro é que a mãe se recusa a aceitar essa mudança. Começam as primeiras crises domiciliares.
A situação pode se agravar com o aparecimento do pior inimigo das mães. Aquele monstro perigoso chamado "namorado", que marca o limite de território.
A guerra está declarada. A ex-menina não quer mais aceitar a ingerência materna, que por sua vez não aceita o "narizinho empinado dessa fedelha" .
A situação não precisa chegar a esse ponto que, felizmente não é mais tão comum.
Basta que, ao notar que a menina está crescendo, a mãe comece a dialogar cada vez mais com ela. Ao invés de ser a "toda poderosa que tudo sabe e manda", ela deve começar a ser a amiga da filha. Aquela a quem a menina pode fazer confidências, que sempre está pronta para ouvi-la e trocar idéias e informações. Principalmente informações.
Isso se consegue através de diálogo, troca de idéias. É preciso conhecer-se o que começa a passar por aquela cabecinha, já não tão oca... Há que se entender que ela tem necessidade de novas amizades, conhecer outras coisas. Só com a troca de idéias pode se evitar muitos problemas...
Transformando-se numa aliada da garota, passando a ser sua amiga, trocando confidências, evitam-se muitos desentendimentos.
Então, a coisa não é tão feia assim. E se por acaso a situação estiver deteriorada, o melhor a fazer é procurar um diálogo. Nunca é tarde para que se inicie a trégua, e assim descobrir o ponto de desentendimento.
As coisas não se resolvem através de imposições, nem do famoso "eu sei o que é bom para você". E onde fica o livre arbítrio? Muita conversa, gente, ainda é um bom remédio.
Bem... não sou mãe e nem filha... mas fui um observador atento de muitos casos semelhantes ao que foi acima dito, e com resultados os mais diversos.
Sem duvida alguma, os melhores resultados foram conseguidos com a palavrinha mágica: DIÁLOGO.

 

 

Marcial Salaverry


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