SOBRE O PERDÃO

 

Na realidade, o que vem a ser “Perdão”?  Deve-se pedir perdão quando cometemos algum erro grave?  E se o erro for pequeno?  Como saber se um erro é grave ou não?
Convenhamos que são questões muito subjetivas, e que dependem de uma análise muito pessoal. Algo que nos fazem e que poderemos considerar como muito sério, deixará de sê-lo se o erro for nosso. Mera questão de julgamento.
Portanto, sempre será difícil para quem errou, ter a humildade de reconhecer a mancada cometida, pois sempre haverá algo para ao menos uma auto justificação. Se não for possível uma justificativa para os outros, pelo menos para si mesmo, e isso já serve como consolo...
E quando a coisa é conosco? Quando precisamos perdoar alguém que humildemente reconhece haver feito algo contra nós, e nos pede o tal do perdão... Muitas vezes, é-nos difícil conceder esse perdão. Principalmente se a falta foi grave, e deixou algum prejuízo grande, ou alguma mágoa muito forte.  Realmente é preciso ter uma certa grandeza interior, para que o perdão seja concedido sem qualquer dúvida.
É preciso levar em conta que, ao perdoarmos alguém, não podemos deixar sequer resquícios de mágoa em nosso interior.  Ou se perdoa, ou não. Não se pode semiperdoar. Principalmente se existe sinceridade nesse pedido.
Se conseguirmos esquecer o que houve, ótimo.  Melhor para nós.  E é isso o que precisa ser feito.  Passar por cima do que aconteceu.  Não vale a pena ficar remoendo o que já houve.
Muitas vezes as lembranças incomodam mais do que o ato em si.
A propósito, li algo muito interessante, que serve para quem não está conseguindo se livrar de mágoas, ou para todos aqueles que já conseguem perdoar, são alguns trechos do livro de renomado psicólogo Dr.Fred Luskin -  da Universidade de Stanford - EE.UU - Diretor do Projeto para o " Perdão" desenvolvido naquela universidade. Esses trechos me foram enviados por uma pessoa amiga, e, por serem opotunos, os transcrevo. São alguns tópicos, referentes à pergunta, O QUE É O PERDÃO?
Perdão é a paz que você aprende a sentir, quando vc assumiu algo em termos muito pessoais...   Quando você continuou a culpar a pessoa que o fez sofrer... Quando você criou uma história muito íntima e pessoal sobre a mágoa...Perdão é para você e não para o autor da afronta;  Perdão é recuperar o seu poder... Perdão é assumir a responsabilidade por como você se sente... Perdão refere-se à sua cura e não à pessoa que o fez sofrer.
Enfim, lendo essa obra do Projeto Perdão, vamos  compreender que o ressentimento pode ser mais grave do que a hostilidade como fator de risco para nossa saúde. Isso quer dizer que não devemos ficar presos a ressentimentos do passado e o perdão é um meio de reconhecer que não podemos muda-lo. O perdão nos proporciona uma paz presente.  E esse é o grande presente que podemos ganhar, muit mais do que ofertar. Perdoando, não apenas "deslembramos" o que aconteceu, como limpamos nossa alma de ressentimentos que estávamos remoendo.
Sem dúvida alguma, é algo que precisa ser muito bem considerado.  Não é mesmo fácil o ato de pedir  perdão, pois implica num reconhecimento tácito de culpa.  E sempre temos dificuldade para reconhecer que erramos.  Muitas vezes pedimos perdão apenas para dar uma satisfação a outrem, ainda que  intimamente não nos tenhamos perdoado, ou melhor, não tenhamos reconhecido que realmente erramos. 
Primeiro, precisamos nos perdoar, para então, com sinceridade pedir que nos seja concedido.
Também não é fácil conceder o perdão, pois implica num reconhecimento de que o fato foi esquecido, e para ninguém é fácil esquecer totalmente algo que nos fez sofrer, seja um prejuízo financeiro, seja um abalo moral. Muitas vezes perdoamos, apenas para assumir uma postura magnânima.  Mas em nosso íntimo continuamos magoados.  E isso não é bom, pois a qualquer momento poderemos relembrar o fato.
Primeiro temos que convencer nosso interior que nossa mágoa foi superada, para então conceder um perdão sem remissão.  Uma vez concedido, não se dever mais falar no assunto.
Se foi esquecido, olvidado ficará.
Perdoar, saber ser perdoado, são atos que sempre nos levam a UM LINDO DIA.

 

Marcial Salaverry


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