VAMOS CONHECER SANTOS

 

Vamos conhecer Santos...
Um convite para todos, inclusive para santistas...
Osculos e amplexos,
Marcial
 
VAMOS CONHECER SANTOS
Marcial Salaverry

Existe um velho ditado que diz: "Santo de casa não faz milagres." Apesar de viver em Santos há mais de 50 anos, cheguei à conclusão de que não conheço totalmente a cidade. E para travar o conhecimento mais íntimo, nada melhor do que  fazer um passeio turístico pelos pontos históricos da minha cidade, e fiquei surpreso com tantas coisas que desconhecia em Santos.
Acredito mesmo de que a grande maioria dos habitantes, não só de Santos, como de qualquer outra cidade, tenham esse mesmo desconhecimento pelos monumentos que se encontram espalhados aqui e ali dentro de suas respectivas cidades.
Vamos então percorrer esses locais até então desconhecidos. Falar da beleza das praias, e dos Jardins de Praia de Santos, seria enfadonho, pois todos conhecem essas belezas de sobejo. Bem como o Aquário e o Orquidário dispensam qualquer apresentação, pois fazem parte do roteiro obrigatório não só dos santistas, como também e principalmente dos visitantes, assim como o Monte Serrat e seu famoso bondinho, que também já está na agenda de todos. O mesmo se pode dizer Museu de Pesca e a Pinacoteca Benedito Calixto, que se não tem a mesma afluência de visitantes, já são bem mais divulgados.
Certos dados como datas e outros detalhes podem ser verificados in loco. Prefiro apenas falar de sua existência, deixando que a curiosidade natural faça o resto.
Podemos iniciar pela beleza histórica que existe encravada na entrada do Túnel Rubens Ferreira Martins, que são os “restos mortais” da segunda Santa Casa de Santos. Passa-se por lá todos os dias, sem saber o que significam aquelas ruínas.
O chamado Centro Histórico de Santos ostenta orgulhoso o Panteão dos Andradas, onde repousam os restos mortais do Patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva, ladeado por seus irmãos.  Ao lado do Panteão, existem as vetustas Igrejas da Primeira e da Terceira Ordem do Carmo, que são monumentos de grande valor histórico. Um pouco mais adiante, o imponente prédio da Alfândega de Santos. Normalmente todos o conhecem, mas quando o visitam, sempre é durante o expediente, e suas portas estão abertas. No domingo, por estarem fechadas, pudemos observar a incrível beleza destas portas,  trabalhadas com imitação de sementes de café. Para apreciar, só visitando mesmo.  E o quase desconhecido Outeiro de Santa Catarina, que foi uma pequena igreja, ao lado da qual foi erguida a primeira Santa Casa de Santos. Estava quase em ruínas, mas agora está devidamente restaurada. Sequer ouvia-se falar desse belo monumento, assim como a rua Tiro Onze com suas velhas casas, aonde era o Arsenal.   Sempre foi uma rua perigosa para se andar, e essas relíquias históricas estavam condenadas à demolição.  Existe um projeto que concede isenção de impostos aos proprietários desses imóveis do Centro Histórico, desde que mantenham as características históricas das construções.  Com essa medida, está sendo salva a memória de Santos, ou tenta-se faze-lo, o que pode ser constatado pela maravilha que ficou o famoso e tão decantado prédio da Bolsa do Café, que na época de ouro do café, era ponto obrigatório de reunião dos “Barões do Café”, muda testemunha de sua opulência e decadência. Não existem palavras para descrever a beleza de seu interior, e muito menos que permitam saborear a delícia do café lá servido. Aliás, falar no café que lá se serve, é perder-se em odores e sabores inigualáveis. Imagine-se algo que se pode adicionar ao café, e lá poderá ser provado. Há que se ir muitas vezes para experimentar todas as variedades de misturas que caem deliciosamente bem com o café. E claro, toma-lo puro também. Pode-se dizer que lá é servido o melhor café do Brasil, e consequentemente, do mundo.
Há que se falar das ruínas da Hospedaria dos Imigrantes, aonde todos os imigrantes que aqui chegaram, foram registrados, o que já foi visto em diversas novelas e filmes.
A Igreja do Valongo é um caso à parte, e que exige uma visitação demorada, para que se possa avaliar toda a beleza de seu interior. Apenas a título de ilustração, pode-se dizer que a grande maioria de suas imagens precisa ficar dentro de uma proteção especial de vidro reforçada, para proteger o engaste de pedras preciosas.
E no Valongo ainda temos o Museu Pelé, que merece ser visitado,como uma homenagem ao Rei do Futebol...
Existe ainda muita coisa a ser visitada. E nada melhor do vir conferir ao vivo e a cores, principalmente quem gosta de apreciar e conhecer a história, não apenas desta cidade, mas também do Brasil, pois a História de Santos está estreitamente ligada à História do Brasil.

Texto original escrito em 2004...

 

 

Marcial Salaverry


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