OBSERVANDO A SABEDORIA DA NATUREZA

 

 
Devemos tanto à Natureza...
E a maltratamos tanto...
Quanta inconsciência...
Osculos e amplexos,
Marcial

OBSERVANDO  A SABEDORIA DA NATUREZA
Marcial Salaverry

Nunca será perdido o tempo em que podemos meditar, apenas observando a sabedoria da Natureza, que na verdade sempre inspirou os homens em suas descobertas, e assim, podemos facilmente concluir que todas as grandes invenções, foram fruto da curiosidade e da mente inventiva de alguns iluminados que, observando a Natureza com a curiosidade de uma criança, conseguiram descobrir os meios para desenvolver seus inventos.
E isso pode ser constatado apenas lembrando que por ter observado os pássaros em suas evoluções, que surgiu a idéia de que poderíamos também voar. E Ícaro foi o precursor  dos jatos de hoje.
Foi observando o castor a represar a água, que o homem descobriu que poderia usar a força da água em seu benefício, assim como não podemos nos esquecer de que a calma da tartaruga nos ensina o segredo de uma longa vida, e que o espírito de organização das formigas ensina como viver em mundo global, com cada qual cuidando de sua parte.
É verdade que nem tudo é bem entendido, pois a história do galo mandar no galinheiro, foi mal assimilada pelos homens, que chegaram a acreditar que poderiam dominar as mulheres, e tal engano terminou por provar que nem tudo é perfeito.
É preciso ter bem presente como é importante sabermos nos harmonizar com a natureza dos elementos da Natureza, como a terra, o fogo, a água e o ar, pois sabemos que o desequilíbrio de um deles pode destruir todo o sistema. A Natureza tem seus meios de controle, e se o homem não souber usa-los com discernimento, pode por tudo a perder.
Vamos lembrar que uma das maiores forças da Natureza, senão a maior de todas, é a água, e é justamente ela que nos dá as maiores lições de vida, e que deveríamos muito bem assimilar, e para tanto, basta ver como a água enfrenta os obstáculos que encontra em seu caminho, analisando o percurso de um rio. Em sua nascente, um fiozinho de água, correndo placidamente, saltando sobre pedras, pulando obstáculos, e não tem medo de dar grandes saltos para prosseguir em sua caminhada. Sabe aliar-se a outros rios que vão surgindo, não se preocupando em saber quem é o mais forte, pois sabe que é a união que faz a força,e assim,  aproveita bem todo o seu poder, e se unifica ao encontrar qualquer porção semelhante, sabendo receber mais água, seja vinda do céu ou das terras distantes. Não tem preconceito com este ou aquele tipo de água. Seja da chuva, seja de rios barrentos, seja de rios poluídos, as águas se encontram e se misturam, movimentando-se pela terra em perfeita harmonia. É capaz de se amoldar a qualquer ambiente, congelando-se para suportar o frio, ou gaseificando-se quando o calor for muito forte. É capaz de enfrentar e dominar o fogo. E finalmente quando chega até o mar, não cria barreiras pela diferença “racial” existente. Apenas une-se ao mar, formando a grande massa líquida que domina o mundo.
Na realidade,  está mais do que chegada a hora de sermos como a água, aprendendo a grande lição que ela nos oferece, esquecendo preconceitos e diferenças raciais, sociais ou sejam quais forem, pois somente com uma boa e sólida união poderemos realmente descobrir como bem viver, e sobreviver.

Precisamos aprender a deixar passar certas coisas, ao invés de sempre querer provar que somos os melhores em alguma coisa, precisamos aprender a mudar de rumo e contornar obstáculos, sem permitir que o desespero e o desalento nos dominem. Quando preciso for, adquirir a dureza de um iceberg, ou então saber subir ao céu para uma eventual purificação, e voltar como uma chuva benfazeja.
O importante é aprender a grande lição, seguir em frente, até chegar ao grande objetivo da vida, até o nosso “mar particular”.
Obstáculos existem para serem transpostos. Tristezas que nos congelem a alma, poderão ser vencidas quando de novo o sol raiar, provocando seu degelo. Raiva que nos faça ferver, acaba se evaporando, e poderá voltar ao caminho antes trilhado.
E além de tudo, não podemos esquecer o que ela representa para nossa existencia, pois sacia nossa sede, e realmente nos dá a vida.
Por vezes ela se excede e causa desgraças com suas enchentes? Basta buscar as reais causas, e veremos que algo feito pelo homem provocou essa tragédia, mostrando a necessidade de aprendermos a respeitar a Natureza, jamais esquecendo da importancia dela em nossa vida.

E diante de um belo copo de água, desejo a todos UM LINDO DIA.

 

 

Marcial Salaverry


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