CARTA DE UM SOLDADO CANSADO DE GUERRA

 

 

CARTA DE UM SOLDADO CANSADO DE GUERRA

Marcial Salaverry

 
Cansei de ser um joguete nas mãos desses líderes de fancaria que apenas dão ordens, determinando que os soldados enfrentem bombas e tudo o mais, porque querem mais poder, dizendo que devemos morrer pela Pátria, quando na verdade, permanecendo vivos e trabalhando pela Paz, poderemos realmente ajudar a Pátria.

 

Entendo que sempre se discutiu muito sobre a guerra, ou melhor, sobre as guerras, sem que se pudesse chegar a uma conclusão conclusiva sobre seus comos e porquês.  Nunca se soube quais as reais causas, o real motivo dessa insanidade ter começado.

Voltando na História do Mundo, é fácil chegar-se à conclusão de que em todas as guerras havidas, não se conseguirá analisar o real motivo dela ter começado.

Antigamente, guerreava-se muito por questões religiosas.  Mas o fator religioso era mero subterfúgio.  O real motivo sempre foi a ambição desmedida de alguém, com o desejo de dominar outros povos, e talvez o mundo.

Houve muitos tiranos que assumiram abertamente que seu único desejo era submeter a seu jugo todos os povos.  Seu sonho delirante era dominar o mundo.  Esses pelo menos foram coerentes, assumiram perante a História que o real motivo que os levou à guerra, era assumir a liderança mundial sem restrições.  Mesmo que apenas reinasse sobre ruínas.  Mas seria ele o “Dono do Mundo”.  Embora destruído, mas seria o “seu mundo”.

Agora esses mesmos motivos ficam ocultos sob a pretensa alegação de devolver a liberdade, ou de eliminar dissensões internas... Enfim, sob uma capa de magnanimidade, o mesmo velho e surrado motivo... De dominar.  A ambição do poder.

Uma grande verdade sobre a guerra, é esta mensagem que li em algum lugar:

"A guerra é um massacre entre gente que não se conhece, para proveito de pessoas que se conhecem, mas que não se massacram."

 

Isso é uma grande verdade, pois os soldados que são enviados para o front, em sua maioria, não sabem o que estão fazendo lá. Apenas que precisam se defender de outros que vão tentar mata-los.  Não sabem quem são seus inimigos.  Apenas sabem que seus chefes disseram que eles precisam ser patriotas.  E que lhes disseram que precisam ser heróis e morrer pela Pátria, só que se esqueceram de acrescentar que o verdadeiro heroísmo seria viver pela Pátria, trabalhando pela Paz.  Esqueceram de dizer que são meros “bois de piranha”, para permitir que alguns líderes liberem sua sanha.  Sempre ficando patente que os únicos beneficiados serão o ego monstruoso dessas “personalidades”, e, principalmente a indústria de armamentos que a cada guerra,  a cada revolução, ou a cada mera rebelião interna, sempre fatura milhões.

 

São as pessoas que “se conhecem, mas que não se massacram”...  Limitam-se a fazer pronunciamentos, incitando os bois... digo, os soldados a se digladiarem, “em nome da Pátria”.  Tá bom... “Me engana que eu gosto”.

A maneira correta de se definir a coisa, era fazer com que os interessados fossem resolver no velho esquema do duelo pessoal quem é o “maioral”, ao invés de sacrificar milhões de vidas, apenas para satisfazer suas vaidades pessoais, e os bolsos dos interessados.

Não seria a melhor maneira?

 

 

 

Marcial Salaverry


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