RACIONAMENTO DE ENERGIA

 

Bem... ei-lo que surge, impávido colosso. O Racionamento. Monstro atormentando e transtornando a vida de todos, provocando a ira de muita gente, bem como o conformismo entre os mais fatalistas, que dão de ombros, dizendo: "Fazer o que?".

Tenho lido artigos e mais artigos, alguns coerentes, lembrando que as responsabilidades pelo acontecido não podem ser jogadas somente sobre os ombros do atual Governo. Concordo em termos, pois certas medidas que estão sendo tomadas agora, de afogadilho, já deveriam estar em plena execução há muito tempo. Já todos sabiam de antemão o que estava para acontecer.

Mas não vale a pena discutir-se isso agora, pois existe um farto noticiário sobre todas as implicações havidas e por haver. Se é justa ou injusta, não nos cabe discutir.

Só não concordo com alguns que pregam a revolta luminosa, pois isso seria somente provocar o agravamento da situação. A hora é de colaborar, raciocinar e então racionar, fazer os sacrifícios que nos estão sendo impostos, pois o momento é de crise.

Os culpados pela coisa toda ter atingido tais níveis já sabemos. A resposta que deveremos dar será nas urnas, nas próximas eleições, quando poderemos mostrar até que ponto ficamos revoltados com o fomos obrigados a passar.

A culpa não é só da Natureza, da falta de chuvas, é também da imprevidência e descaso de nossos governantes (incluindo-se aí oposições que sempre se omitiram e só agora querem aparecer, mas quando poderiam ter agido, também calaram-se...).

A resposta terá que ser dada nas urnas. Nenhuma dessas figuras que estão por aí, sejam situação ou oposição deverá continuar. Todos são coniventes. Todos têm culpa no Cartório.

Bem... desejo aqui contar um fato ocorrido com um cidadão sério, cumpridor de seus deveres, em dia com os impostos, e que por causa do racionamento, do apagão sofrido perdeu seu meio de subsistência, e faliu. Tinha uma impressora, com a qual editava seus livros e fazia outros serviços. Firma pequena, modesta, mas que lhe rendia os frutos necessários para sua sobrevivência.

Devido ao racionamento, e com a conseqüente queda em sua produção, foi obrigado a demitir seus funcionários, e depois teve que desligar suas máquinas, pois, por não conseguir solver seus compromissos, faliu.

Eis aí uma vítima do racionamento de energia no Brasil. Uma firma fechada, falida, e algumas famílias no desamparo. Conheço sua história, pois é uma pessoa muito amiga, e conhecida de quase todos vocês.

Trata-se de Monteiro Lobato (quem não conhece?). E esse fato ocorreu durante o racionamento de energia elétrica havido em 1927. Só para ilustrar a história, nosso amigo (pelo menos era muito amigo de meu pai), só conseguiu se reerguer algum tempo depois (creio que em 1929), após o término do racionamento.

Cumpre ressaltar que Monteiro Lobato desde dois anos antes, vinha alertando o Governo sobre o que poderia ocorrer se medidas não fossem tomadas. Não foram, e deu no que deu...

Como vemos, essa questão de racionamento de energia e racionamento de raciocínio não é fato inédito no Brasil, razão pela qual não se justifica que nossos irresponsáveis tenham sido pegos de surpresa.

Agora, outro fato surpreendente. Quando se fala na falta de água, e em crise de energia, não dá para entender porque o IBAMA vai se preocupar com a ecologia, e com os possíveis problemas que poderemos ter com o meio ambiente, provocando paralisação de projetos que visam a criação das Usinas termelétricas. Há que se raciocinar, visando a solução das necessidades mais prementes de momento.

Volto a insistir num ponto. A hora é de manter-se a cabeça fria (banhos frios servem...), cada qual fazer sua parte. Agora não se esqueçam (a memória do brasileiro costuma ser fraca) de dar a resposta nas urnas nas próximas eleições. Vejam TODOS os que estão lá dentro do Congresso, Governo, e até funcionários... NENHUM deles merece ser votado.

Situação ou Oposição, todos os que lá estão tem sua parcela de culpa para que tenhamos chegado a esse estado de coisas.

Quantos Monteiro Lobato iremos ver daqui para a frente? Nem todos terão a mesma capacidade desse ilustre brasileiro para se reerguer.

É triste ver que a história se repete... e sempre a culpa é da imprevidência, da incompetência.

 

 

Marcial Salaverry


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